COORDENADORIA GERAL DE COMUNICAÇÃO
Tabu sobre exames preventivos ainda afasta homens de cuidados com a saúde; Niterói intensifica ações do Novembro Azul
Campanha da Prefeitura busca combater preconceitos, esclarecer dúvidas e incentivar o diagnóstico precoce do câncer de próstata e o cuidado integral com a saúde masculina
02/11/2026 - O preconceito, a desinformação e o tabu que ainda cercam os exames preventivos estão entre os desafios para ampliar os cuidados com a saúde masculina. A procura dos homens pelos serviços de Atenção Primária à Saúde ainda é significativamente menor do que a das mulheres em Niterói. Porém, dados recentes da Secretaria Municipal de Saúde apontam sinais de mudança nesse comportamento. O levantamento mostra aumento dos atendimentos masculinos em algumas áreas entre 2024 e 2025 e crescimento da participação dos homens nos atendimentos relacionados às neoplasias malignas
Apesar dos avanços da medicina, muitos homens ainda têm dúvidas sobre a prevenção e o diagnóstico do câncer de próstata, doença que pode se desenvolver silenciosamente, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Para enfrentar essas barreiras, a Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, vai intensificar as ações do Novembro Azul, com atividades educativas, orientações e atendimentos nas unidades municipais de saúde.
Para a secretária municipal de Saúde de Niterói, Ilza Fellows, os números mostram que ainda é necessário estimular os homens a incorporarem o cuidado com a saúde à rotina, especialmente antes do aparecimento de sintomas.
“Historicamente, os homens procuram menos os serviços de saúde e muitas vezes chegam às unidades quando já existe algum problema instalado. Nosso trabalho é justamente mudar essa lógica e fortalecer a ideia de que cuidar da saúde também significa prevenir. Queremos que os homens procurem nossas unidades, façam seu acompanhamento regularmente e entendam que a Atenção Primária é a principal porta de entrada para esse cuidado”, afirma a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows.
O levantamento analisou registros do e-SUS referentes a doenças do aparelho circulatório, diabetes mellitus, doenças crônicas respiratórias, neoplasias malignas, alcoolismo e tabagismo. No acumulado do período analisado, as mulheres responderam por 65,24% dos atendimentos, enquanto os homens representaram 34,76%. Foram 164.970 registros femininos e 87.902 masculinos — uma razão de aproximadamente um atendimento de homem para cada dois de mulheres.
Frequentador do Médico de Família do Maceió e da Policlínica Regional do Largo da Batalha, o mestre de obras aposentado, Antônio Bento do Nascimento, de 68 anos, conta que procura manter em dia consultas, exames e vacinas. Ele também passou a ter mais atenção com a alimentação, especialmente com o consumo de doces. Para ele, os homens precisam abandonar preconceitos e assumir maior responsabilidade pelo próprio bem-estar.
“A gente não deve se cuidar apenas pela mulher, pelos filhos ou por outra pessoa. Tem que se cuidar pela gente. Essa ideia de que homem não precisa se cuidar está muito atrasada. O homem precisa mudar”, ressalta Antônio.
Procura masculina tem avanços - Apesar da diferença entre os sexos, os dados também revelam movimentos positivos. Nas doenças do aparelho circulatório, que representam a maior demanda entre as enfermidades crônicas analisadas, o número de atendimentos de homens passou de 18.842 em 2024 para 22.482 em 2025, um crescimento de aproximadamente 19%.
Outro dado que chama atenção está nos atendimentos relacionados às neoplasias malignas. A participação masculina passou de 44,88% em 2024 para 45,84% em 2025 e chegou a 46,77% em 2026, considerando, neste último ano, os registros disponíveis até o início de agosto.
Entre os idosos, o cenário é ainda mais marcante. Na faixa de 60 a 69 anos, os atendimentos relacionados às neoplasias ficam próximos da paridade entre homens e mulheres. Dos 70 aos 79 anos, os homens chegam a representar 58% dos atendimentos.
“É muito importante percebermos esse movimento de maior procura. Cada homem que chega à unidade antes de uma complicação representa uma oportunidade de prevenção, diagnóstico e acompanhamento. Precisamos avançar ainda mais, principalmente entre os homens adultos, para que procurar atendimento não esteja associado apenas ao momento em que se está doente”, reforça Ilza Fellows.
Prevenção ainda é desafio - Os dados sobre tabagismo ajudam a dimensionar esse desafio. Dos 600 atendimentos relacionados ao acompanhamento do tabagismo registrados no período analisado, 62,5% foram de mulheres e 37,5% de homens. A maior concentração dos atendimentos ocorreu entre pessoas de 50 a 69 anos.
Já nos registros relacionados ao alcoolismo, o cenário se inverte: os homens representam 77,22% dos atendimentos, com maior concentração entre 50 e 69 anos.
A enfermeira da unidade Tábada Doherty reforça que o preconceito ainda é uma barreira para muitos homens e destaca a importância da procura aos serviços de saúde de forma preventiva, antes do surgimento de problemas mais graves.
“É muito importante que os homens deixem de lado o preconceito e procurem atendimento. Estamos aqui para acolher, orientar e ajudar cada um a cuidar da saúde antes que surjam problemas mais graves. Procurem a unidade e cuidem-se”, orienta.
Os dados utilizados no levantamento foram extraídos do e-SUS em 3 de agosto de 2026 e abrangem os anos de 2024, 2025 e parte de 2026. Por isso, os números absolutos de 2026 ainda não representam o ano completo.
A campanha busca mostrar que cuidar da saúde não deve ser motivo de vergonha ou constrangimento. Mais do que incentivar a avaliação médica para identificação de possíveis doenças da próstata, o Novembro Azul chama a atenção para a importância do acompanhamento regular, da prevenção de doenças crônicas e dos cuidados com a saúde física e mental.
Até o fim de novembro, as unidades municipais de saúde vão oferecer atendimentos e orientações específicas ao público masculino. Entre os serviços disponibilizados estão verificação da pressão arterial, hemograma completo, dosagem de glicemia e colesterol, exames de urina, atualização da carteira de vacinação e acompanhamento de doenças crônicas. A necessidade de exames específicos para a próstata deve ser avaliada individualmente, considerando fatores de risco, histórico familiar e orientação médica.
A campanha também aborda questões relacionadas à saúde mental masculina, como estresse, pressões profissionais e familiares e isolamento emocional. De acordo com a Coordenação de Atenção à Saúde do Homem, a proposta é fortalecer o vínculo entre os serviços municipais de saúde e a população masculina, incentivando o autocuidado durante todo o ano, e não apenas no mês de novembro.
Câncer de próstata é frequente - Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o tipo mais frequente entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele não melanoma. Para o triênio 2023–2025, a estimativa foi de 71.730 novos casos por ano no país, o equivalente a 67,86 casos para cada 100 mil homens.
Como a doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, a orientação é que os homens mantenham acompanhamento regular de saúde e procurem atendimento diante de alterações urinárias ou outros sinais de alerta. A realização de exames como PSA e toque retal deve ser discutida com o profissional de saúde, considerando os fatores de risco, a avaliação individual e os possíveis benefícios e riscos do rastreamento.
A campanha Novembro Azul reforça que vencer o preconceito e ampliar o acesso à informação são passos importantes para estimular o autocuidado e aproximar a população masculina dos serviços de saúde. Em Niterói, as ações desenvolvidas pela Prefeitura buscam incentivar essa mudança de comportamento, mostrando que a atenção à saúde deve fazer parte da rotina dos homens durante todo o ano.
Foto: Divulgação
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